Tudo que é sólido se desmancha no ar

“… No Brasil, esta identidade cultural, principalmente no momento da pos-modernidade vem sendo ameaçada…”

Não é de hoje, que nós, brasileiros somos acusados de não possuirmos memórias. Acusado por nós mesmo.
Tais acusações leva à acreditar que sem memória, não se tem passado, sem passado, não de tem identidade. E, se não temos identidade, então, quem somos nós?
Uma das principais características dos paises que fizeram parte do processo colonizador, não só do Brasil, é a quantidade de bens culturais materiais e imateriais existentes e em ótimo estado de preservação.
No Brasil, esta identidade cultural, principalmente no momento da pos-modernidade vem sendo ameaçada por um mecanismo que devido à maneira como é usado, sem medir as conseqüências, acaba por dissolver as sólidas bases doas mais antigas das culturas: a globalização. Este mecanismo que acaba por homogeneizar as culturas, vem abalando as sólidas estruturas culturais de localidades que ao longo dos tempos mantiveram a sua identidade preservada, mesmo diante dos inevitáveis efeitos do processo da globalização.
Na Bahia, pude observar marcas evidentes de uma tentativa de anular certos fragmentos culturais locais, em benefícios a uma identidade global. Estas marcas irreversíveis observei, em momentos específicos de algumas manifestações populares, religiosas ou não. Podemos observar também, as situações das feiras livres, que para o Brasil e mais precisamente a Bahia, e evidente o aspecto da identidade de seu povo. Feiras como Itapuan, São Joaquim e Liberdade, que vem sendo “beneficiada”, oferecendo assim uma contribuição para a comunidade.
Não estou aqui indo contra aos beneficiamentos de infra-estrutura, mas o que condeno é a total descaracterização do ambiente popular, tornando a cidade mais “linda”. Devo levar em consideração também o argumento do etnólogo inglês Stuart Hall*, em salientar que não devemos querer ter estar identidades locai como “puras” ou “intocadas”, mas que esta tal globalização seja ela, internacional, nacional ou local não se aproprie e anule tais diferença.
Também não quero uma cidade totalmente arcaica e “antiga”, pois como todos, sou também dependente do novo. Por questões meramente culturais o novo é inevitável. O que gostaria é de que np futuro as novas gerações, possam continuar entregando flores a rainha domar – Yemanjá, no dia reservado para ela, dois de fevereiro, e que possam percorrer por entre as barracas nas feiras livres ao eiveis de percorrer por entre os corredores dos hiper-mercados, que cada vez mais estão presentes nos bairros pululares seja nas periferias ou no litoral da cidade.
A medida que cada um de nós contribuirmos de alguma forma, aceitando estas modificações ou padronizações, estamos contribuindo com uma parcela importante no processo de dissolvição de nossa sólida identidade cultural, que construída ao longo dos tempos, pode resistir, se assim quisermos aos efeitos da nossa grandiosa globalização.

Marcelo Reis e graduando em Jornalismo pelas Faculdades Jorge Amado do primeiro semestre do ano de 2004.

Bibliografia:

*in: A identidade cultural na pos-modernidade, Hall Stuart – DP&A Editoras 6ª edição. Tradução Tomaz Tadeu da Silva e Guacira Lopes Louro.
In: O Manifesto Comunista de Karl Marx e Friedrich Engels – Coleção leitura, Paz e Terra