Construir é compor . Texto para o livro de Francisco Vieira

Por Marcelo Reis, julho de 2005

Prefaciar esta obra é para mim, algo de muito importante. Por duas razões simples: Primeiro por ter participação dupla no processo de criação deste trabalho. Segundo por ser um resultado de um de um processo aqui chamado de – experiência estética – muito bem depurado. Cabendo então, fazer uma um breve preâmbulo sobre o autor Francisco Vieira.

Aluno de um dos meus cursos, Vieira, foi um obstinado aprendiz. Logo seus resultados alcançaram o nível estético aos dos por mim apresentado como referencia. A idéia do livro veio como resultado das experiências estéticas vivenciadas no ultimo curso feito. Semanas de trabalhos e inúmeras idas e vindas ao seu espaço de trabalho, o canteiro de obra, seu trabalho de campo, um verdadeiro trabalho empírico antropológico, sem deixar de lado as valiosas observações e suas respectivas anotações, quase todas em sic, dos sentimentos vividos. Estas que, por sinal ajudaram a mudar a relação com o seu próprio mundo.

Filho de um ambiente hermeticamente técnico, Francisco descobriu na fotografia uma desenvoltura visivelmente habilidosa.

Foram tantas as imagens, que se trocadas por tijolos, dariam para construir um outro prédio de igual tamanho. Tanta quantidade não comprometeu a qualidade aqui agora apresentada. Da capa a seqüência das posições, tudo pensado para reproduzir, como num Museu, suas experiências vivenciadas.

Este ensaio é, sobretudo uma prova incondicional da capacidade do homem, aqui representado pelo autor, de transformar o belo em mais belo, o concreto em abstrato e de que é possível elevar o familiar ao status de incomum. Francisco transforma a dura vida de pessoas anônimas em peças raras, moldadas com finas luzes em fôrma de pratas. Depois desta obra, poderia me perguntar? É mais fácil construir um prédio ou construir um livro? Depois deste livro, sentiremos quanto há de leveza no concreto.

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