Passagens [sobre a obra de Aline Trettin, maio de 2010]


Por quanto tempo durara a alegria desse povo?

Quando a fotografia foi descoberta os artistas, ainda não chamados de fotógrafos, acreditavam ter descoberto a técnica que perpetuaria para sempre a alegria do ver.

Mas a alegria foi mudando com o tempo, e com o tempo também o modo ver, depois do modo de ver mudar, mudou a fotografia e a fantasia que nela existia.

A fantasia por cima do povo de Maragogipe, cidade do Recôncavo Baiano, nos faz pensar em qualquer lugar, menos Bahia. Assim é a fotografia. Assim é a passagem de Aline Trettin por Maragogipe para perpetuar a alegria desse povo. Um povo que trabalha duramente horas a fio, por alguns dias de felicidade. Assim também é o trabalho do fotógrafo por alguns milésimos de segundos de felicidade, a felicidade de ver uma boa fotografia.

Este ensaio sobre o qual escrevo, é um espelho do percurso narrativo visual trabalhado por Aline Trettin, objetivando constituir para nós, agora distante em tempo e espaço, a festa carnavalesca de Maragogipe.

São pessoas anônimas e outras nem tão anônimas, que nos revelam de forma intima, como se constrói uma felicidade. São cores, cortes, texturas e sonhos que amalgamados ao desejo alheio, cria por um tempo uma mascara de felicidade e alegria, transformando algumas das vidas secas em mundos encantados.

A fotografia de Aline Trettin transforma a alegria do povo em uma eterna felicidade, a fotografia perpetuou a memória e os sonhos.

A fotografia de Aline Trettin nos calou, para ouvirmos o som que ecoa por de trás das mascaras do povo de Maragogipe.

Marcelo Reis

Curador – Maio de 2010

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