A Gosto da Fotografia

Criado em 2004 pelo Instituto Casa da Photographia, o A GOSTO DA FOTOGRAFIA é hoje um dos mais importantes festivais do Brasil. Em sua 6ª edição, o festival já trouxe grandes nomes da fotografia brasileira e internacional para a Bahia. Em suas edições, o Festival passou por três fazes determinantes: a primeira se deu na edição inicial realizada com recursos próprios, o evento foi o marco na proposta de projetos em Salvador. Em seguida, por dois anos contamos com o apoio do BNB, para realizar uma edição que se estendeu por toda a Bahia. E por fim a terceira e atual fase onde firmamos além do apoio do Governo da Bahia, obtivemos a parceria com a PINACOTECA DO ESTADO DE SÃO PAULO.  Vale salientar, que o Festival é um dos únicos encontros a ter calendário anual no Brasil. Além disso, existe o fato do festival ter oficialmente a parceria com a PINACOTECA, cujo objetivo é estabelecer um diálogo com os projetos expositivos e o acervo fotográfico do museu, a partir das pesquisas feitas por seu curador, o escritor DiÓGENES MOURA, também curador do A Gosto da Fotografia, que para 2010 tem como tema central as questões da  Identidade e da Memória. Esse pensamento aprofunda toda a programação através de EXPOSIÇÕES, ENTREVISTAS, PALESTRAS, FEIRAS DE LIVROS, OFICINAS, MOSTRAS DE FILMES e reuniões com DIRETORES DE FESTIVAIS DA AMÉRICA LATINA.

Diógenes Moura curador da Pinacoteca do Estado de São Paulo e do A Gosto da Fotografia

Este slideshow necessita de JavaScript.

______________________________________

Gostos e agostos do A Gosto

Alejandra Hernández Muñoz,  Professora de Historia da Arte da EBA/UFBA

“Eu queria ter nascido aqui na Bahia”. Esse é o desejo impossível de Thomaz Farkas que, numa tardinha chuvosa de terça-feira, deixou uma pequena platéia emocionada e de olhos marejados. É uma das melhores declarações de amor a esta terra. E na entrevista em vídeo ainda ele reforça: “Eu queria ser o Batatinha!”. É que no meio da brutalidade dominante e do pragmatismo cotidianos aos quais a Bahia está exposta, pensamentos como esses ressumem a grandeza deste lugar que, paradoxalmente, parece ser um valor para poucos daqui e muitos de fora.

Felizmente, ainda há iniciativas do bem (e baianíssimas!) que jogam luz no mar das trevas e delicadeza no meio das burrices e desmandos que povoam a crônica diária da nossa cidade. Uma dessas iniciativas é o Festival A Gosto da Fotografia que chegou a sua sexta edição motivando entre os freqüentadores aquela expressão recorrente quando encontramos uma criança conhecida que há tempo não víamos: “como você está grande!”… É que o A Gosto, para os íntimos, não apenas cresceu como já tem uma personalidade própria que merece ser destacada em seus méritos e avaliada em suas potencialidades.

Desde a primeira edição, os principais espaços expositivos de Salvador recebem mostras diversas com homenagens, retrospectivas, resgate de trajetórias, recortes temáticos, produções recentes individuais e coletivas. As exposições são acompanhadas de atividades tais como seminários, palestras e debates com fotógrafos e pesquisadores, leituras de portfolios, oficinas e cursos de fotografia, projeções de filmes e mostras audiovisuais. Assim, quem acompanha o projeto ao longo destes sete anos, criou um hábito salutar de apreciação da fotografia a partir do Festival. Mas o que representa o A Gosto além da visibilidade das exposições?

Em primeiro lugar, como reconheceu Milton Guran no sábado passado, o Festival tem a importante tarefa dupla de constituir, na Bahia, um foro de discussão e exposição da fotografia nacional e internacional, e de promover, no Brasil, a divulgação da fotografia baiana. A sua relevância motivou que o A Gosto fosse inserido na Rede de Produtores Culturais da Fotografia no Brasil, estabelecendo canais de comunicação entre diversas esferas de Governo e os setores de promoção, produção e difusão da fotografia brasileira.

Em segundo lugar, o refinamento das mostras individuais e coletivas do Festival vem consolidando parâmetros de expografia e eixos de debate da cultura visual na Bahia, atingindo elevado patamar de credibilidade e respeitabilidade no meio artístico-cultural local, regional e nacional. Além de consolidar um circuito de referência próprio de exposições, cada edição do A Gosto vem incentivando a configuração de outro circuito paralelo de mostras relacionadas à linguagem fotográfica, ou seja, um corolário do que acontece com as bienais e grandes mostras periódicas de arte. Neste ano, por coincidência fortuita, as aberturas do A Gosto foram precedidas pelo sucesso do Seminário de Cinema e pela retrospectiva de Marc Riboud na Aliança Francesa, reforçando o diálogo entre as linguagens irmãs do cinema e da fotografia.

Em terceiro lugar, a qualidade reflexiva e a proposta educativa do A Gosto tem contribuído à formação de uma sensibilidade artística no público leigo e ao alargamento das referências sobre a arte fotográfica entre os iniciados. As mostras recebem numerosas visitas de escolas de ensino médio porém também são objeto de trabalho e discussão de cursos de artes e fotografia de ensino superior de Salvador. Entretanto, o projeto tem um desdobramento menos visível porém importantíssimo que é o trabalho das oficinas com crianças e adolescentes de comunidades com escasso atendimento cultural-educativo.

Como disse recentemente Boris Kossoy a este jornal, “a partir da análise de cada imagem, cada um aciona seus repertórios”. A cada edição, o A Gosto fornece um arsenal de novas imagens para ampliar nossos repertórios e estimular nossa percepção da realidade em que vivemos. E ainda tem muito assunto pela frente: ao gosto do A Gosto, da câmara escura a Batatinha!


Anúncios